Salvador recebeu, no último fim de semana, uma das montagens mais comentadas do teatro nacional dos últimos tempos. Nos dias 19 e 20 de setembro, o Teatro Jorge Amado foi palco de “Uma Vida em Cores”, espetáculo em que Rosamaria Murtinho interpreta a designer e empresária americana Iris Apfel, ícone mundial de estilo, irreverência e liberdade criativa. A passagem por Salvador acontece após o sucesso da temporada de estreia e marca uma nova fase de um projeto com mais de nove anos de história.
Iris Apfel, falecida em 1º de março de 2024, aos 101 anos, ficou conhecida pelos óculos redondos, pelos colares exuberantes e por uma postura absolutamente contemporânea. A peça, escrita e dirigida por Cacau Hygino, celebra a potência da maturidade, a reinvenção constante e a recusa em aceitar os limites impostos pela idade.
Da entrevista ao diálogo entre gerações
A versão atual abandona o formato de monólogo e transforma a narrativa em um diálogo entre Iris e Emily, papel de Sofia Mendonça. Emily é uma jovem jornalista, estagiária da revista Vogue americana, que recebe a missão de entrevistar a lendária empresária, e a matéria pode definir seu futuro profissional.
O que começa como uma conversa formal logo se transforma em um jogo de provocações, humor e cumplicidade. Entre memórias, reflexões e confidências, a peça discute etarismo, moda como forma de identidade, amor e luto, escolhas, legado e o valor do tempo vivido.
A dramaturgia mistura ficção e memória afetiva e incorpora episódios reais da trajetória de Iris, inclusive os 68 anos de casamento com Carl Apfel.
Avó e neta em cena
Se o texto já fala de troca entre gerações, o que se vê no palco reforça essa ideia. Rosamaria Murtinho e Sofia Mendonça são, na vida real, avó e neta, e essa relação acrescenta uma camada de autenticidade ao espetáculo. A cumplicidade entre as duas ultrapassa o texto e dá corpo ao eixo central da obra: o encontro entre quem já viveu muito e quem está começando a escrever a própria história.

