Skincare popularizou o FPS, mas ele substitui o protetor solar? Especialistas alertam para erro geral na prevenção do câncer de pele

SAÚDE

O protetor solar deixou de estar presente apenas nos frascos tradicionais e passou a fazer parte de hidratantes, bases, séruns e outros produtos de skincare. Com isso, uma dúvida ganhou espaço entre os consumidores: afinal, usar cosméticos com FPS é suficiente para proteger a pele?

Enquanto o skincare conquista cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros, um hábito vem preocupando especialistas: trocar o protetor solar por cosméticos que contêm FPS. A prática pode parecer inofensiva, mas reduz a proteção contra a radiação ultravioleta, principal fator de risco para o câncer de pele. O alerta é especialmente relevante porque o câncer de pele não melanoma permanece como o tipo de câncer mais frequente no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 263.280 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, mantendo esse tumor como o mais incidente no país.

Para a dermatologista Laryssa Faiçal, a principal diferença está na forma como esses produtos são utilizados no dia a dia.

“Quando um cosmético informa um determinado FPS, esse resultado foi obtido em laboratório, com uma quantidade específica de produto aplicada na pele. Na prática, ninguém passa essa mesma quantidade de base ou hidratante no rosto. Por isso, a proteção real costuma ser bem menor do que a indicada na embalagem”, explica.

Outro ponto que merece atenção é a reaplicação. Enquanto o protetor solar precisa ser reaplicado ao longo do dia para manter sua eficácia, dificilmente alguém reaplica maquiagem ou hidratante com a mesma frequência. O resultado é uma proteção que vai diminuindo justamente quando a pele continua exposta aos raios solares.

Segundo a cirurgiã oncológica Paula Strauch Costa, essa falsa sensação de segurança pode fazer com que muitas pessoas relaxem nos cuidados mais importantes para prevenir o câncer de pele.

“Muita gente acredita que está protegida apenas porque usa um produto com FPS na rotina de skincare. Mas a radiação ultravioleta provoca danos que se acumulam ao longo da vida. Pequenas exposições diárias, sem a proteção adequada, também fazem diferença e aumentam o risco de desenvolver câncer de pele”, afirma.

Os especialistas do Grupo de Oncologia Cutânea ressaltam que cosméticos com FPS não precisam ser abandonados. Pelo contrário: eles ajudam a reforçar a proteção, mas devem ser vistos como um complemento, e não como substitutos do protetor solar.

Além da aplicação diária, a recomendação é reaplicar o protetor ao longo do dia, especialmente durante atividades ao ar livre, e associar outros cuidados, como o uso de chapéus, roupas com proteção UV, óculos escuros e a busca por locais com sombra nos horários de maior intensidade solar.

Outro erro comum é acreditar que o protetor solar só é necessário na praia ou na piscina. Caminhar até o trabalho, dirigir, praticar atividades físicas ou permanecer próximo a janelas também representam momentos de exposição à radiação ultravioleta.

Em tempos em que o skincare conquistou espaço na rotina de autocuidado, especialistas reforçam que conhecer a função de cada produto é essencial. Cosméticos com FPS são bem-vindos, mas, quando o assunto é prevenção do câncer de pele, eles não substituem o bom e velho protetor solar.