Gisele Bündchen é destaque na revista i-D e fala sobre família, bem-estar e a vida longe dos holofotes

Gisele Bündchen é destaque na revista i-D e fala sobre família, bem-estar e a vida longe dos holofotes

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Aos 46 anos, Gisele Bündchen atravessa uma fase diferente daquela que marcou sua carreira nas passarelas. Em um perfil especial publicado pela revista britânica i-D, a modelo brasileira revisitou momentos importantes de sua trajetória e falou sobre maternidade, bem-estar, saúde emocional e a forma como passou a definir sucesso e felicidade. Hoje, vivendo no norte de Miami com os filhos e o marido, Joaquim, ela descreve uma rotina mais voltada à família, à natureza e ao autocuidado.

Gisele deixou Horizontina, no Rio Grande do Sul, aos 15 anos, em 1995, para tentar a carreira de modelo no Japão. Sem falar japonês ou inglês, precisou se adaptar sozinha e mantinha contato com a família a cada 15 dias por meio de um telefone fixo e um cartão de chamadas internacional. A adolescente que circulava pelo metrô de Tóquio se transformaria em uma das modelos mais conhecidas do mundo, com desfiles para Alexander McQueen, Gucci, Dolce & Gabbana, Versace, Valentino e Marc Jacobs, além de campanhas para grandes marcas. Segundo a Forbes, ela foi a modelo mais bem paga do mundo por 12 anos consecutivos, entre 2005 e 2016.

A dimensão desse percurso também aparece no levantamento feito pela i-D. De acordo com o próprio site de Gisele, ela acumula cerca de 1.200 capas de revistas, além de trabalhos no cinema, participações em eventos internacionais e projetos editoriais. Em 2016, um livro da Taschen que comemorava seus 20 anos de carreira, com imagens de fotógrafos como Irving Penn, Steven Meisel, David LaChapelle, Inez e Vinoodh e Juergen Teller, teve a primeira edição esgotada em apenas um dia. Ao relembrar esse período, Gisele demonstra entusiasmo ao falar de trabalhos com estilistas como McQueen e John Galliano, incluindo sua estreia em um grande desfile de McQueen e uma apresentação da Dior em Versalhes. Sobre os primeiros anos, resume: “Eu não disse não ou reclamei porque as pessoas estavam me dando uma oportunidade”.

Foi também durante o auge da carreira, aos 20 e poucos anos, que Gisele começou a enfrentar crises de ansiedade. A experiência a levou a repensar sua saúde emocional e sua rotina. Ela começou a meditar e, posteriormente, incorporou yoga, Pilates, jiu-jitsu e musculação ao dia a dia. Atualmente, afirma que se exercita todos os dias, incluindo musculação três vezes por semana, Pilates uma ou duas vezes e yoga de duas a três vezes. Surfe, paddleboard e partidas de vôlei com a filha também fazem parte da rotina. “Vida é um presente”, afirma. Para ela, o nascer do sol, o mar, os filhos e até tarefas simples, como cuidar de um parque, passaram a ter outro significado.

A relação com o celular também mudou. Durante a entrevista, Gisele mostra fotos e vídeos dos filhos, mas o aparelho permanece sem tocar, sem alarmes ou notificações interrompendo aquele momento. “É libertador”, diz. A maternidade ocupa uma posição central nessa rotina. Ela acompanha os filhos em aulas de dança, partidas de vôlei e outras atividades e fala ainda sobre o filho mais novo, de 16 meses. “Crianças nos dão essa oportunidade de viver novamente, de estar mais presentes e experimentar a vida de novo”, afirma. Essa prioridade também influencia diretamente suas decisões profissionais. Segundo Gisele, hoje ela recusa 99% das propostas que recebe e avalia cada compromisso pelo tempo que poderá deixar de passar com os filhos. “Vou perder o jogo de vôlei da minha filha? Vou perder a ida ao parque com meu filho? Vou perder meu filho tocando DJ?”, questiona.

A mudança de prioridades alterou também sua definição de sucesso. Se, aos 20 anos, a ideia estava ligada à carreira, ao reconhecimento e às conquistas profissionais, hoje Gisele associa realização a tranquilidade, relações e tempo com a família. “Quem define o sucesso?”, pergunta. Ela afirma que dinheiro, poder e fama podem representar sucesso para algumas pessoas, enquanto ter uma casa, comida na mesa, bons relacionamentos e tempo para aproveitar os filhos pode significar muito mais para outras. “Não sou definida pela opinião dos outros. Sinto que posso escolher como quero viver minha vida”, declara. Ao falar sobre o legado que deseja deixar, a modelo coloca menos ênfase na carreira e mais na experiência de vida, nos relacionamentos que construiu e na vontade de tornar o mundo ao seu redor melhor, mais harmonioso e amoroso. Ela também espera ser lembrada pelos filhos como uma boa mãe.

O perfil da i-D termina com Gisele se preparando para uma rara noite fora, em um jantar de aniversário. Depois de anos seguindo uma alimentação bastante restritiva, ela brinca sobre a possibilidade de comer o pão de fermentação natural preparado por uma amiga. No dia seguinte, a programação seria acordar cedo para praticar paddleboard. Ao resumir a maneira como enxerga essa fase, deixa uma mensagem: “Viva a vida que você quer viver. Todo o resto vai se ajeitar”.

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