A recém-inaugurada unidade da CAIXA Cultural Salvador localizada no Pelourinho recebe, a partir deste domingo (2), a exposição “3 Obás de Xangô”, que propõe uma imersão na história, na religiosidade e na produção artística afro-brasileira. Inspirada no documentário homônimo dirigido pelo cineasta Sérgio Machado, a mostra ficará em cartaz até 6 de dezembro, com visitação de terça a domingo e feriados, das 9h às 18h. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a mostra parte da amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi — três importantes nomes da cultura brasileira que receberam o título de Obás de Xangô no tradicional Ilê Axé Opô Afonjá — para discutir temas como memória, identidade, religiosidade e a influência do Candomblé na formação da cultura baiana e brasileira.
Exposição reúne mais de 45 artistas de diferentes linguagens
A mostra reúne obras, documentos históricos, fotografias, livros, registros audiovisuais e peças de artistas de diversas gerações, reunindo mais de 45 nomes das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia.
Entre os artistas representados nas artes visuais estão Ana Sant’Anna, Ani Ganzala, Ayrson Heráclito, Emanuel Araújo, Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger e Yedamaria.
Na música, o público encontrará referências como Aguidavi do Jêje, BaianaSystem, Letieres Leite Quinteto, Margareth Menezes, Orquestra Afrosinfônica, Tiganá Santana e Olodum.
Já na literatura, a exposição reúne obras e contribuições de autores como Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Junior, Hugo Canuto, Alex Simões, Maysa Miranda e Ordep Serra.
Homenagem vai além dos três Obás de Xangô
Embora tenha como ponto de partida a trajetória de Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, a exposição amplia o debate ao destacar a contribuição da intelectualidade negra e das lideranças religiosas femininas para a preservação dos saberes afro-brasileiros.
Segundo os curadores, a proposta é deslocar o foco exclusivamente dos três homenageados para reconhecer o papel das mulheres negras, especialmente das ialorixás, na organização, transmissão e fortalecimento das tradições de matriz africana.
A exposição evidencia como essas lideranças foram fundamentais para a construção do chamado Ministério de Xangô, estrutura simbólica criada no Ilê Axé Opô Afonjá, além de valorizar os conhecimentos produzidos pelas comunidades de terreiro.
Percurso aborda ancestralidade, arte e identidade
Organizada em núcleos temáticos, “3 Obás de Xangô” convida o público a percorrer diferentes aspectos da cultura afro-brasileira. O roteiro expositivo aborda temas como o matriarcado nas religiões de matriz africana, a simbologia de Xangô, os saberes ancestrais preservados pelas comunidades de axé, a amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi e as transformações contemporâneas da produção artística negra no Brasil.

