Mudanças no comportamento infantil têm chamado a atenção de famílias e educadores. Dificuldades de concentração, limitações na coordenação motriz e desafios na interação social, antes pontuais, tornaram-se mais frequentes nos lares e no envolvente escolar. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostram que 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet, muitas vezes por longos períodos diários. O excesso de telas e a redução do tempo ao ar livre têm restringido experiências essenciais para o desenvolvimento integral. Atividades simples, porquê decorrer, pular, explorar diferentes ambientes ou mourejar com frustrações, tornaram-se menos frequentes, e isso traz impactos diretos no estágio. “A menino aprende com o corpo todo. Quando ela se movimenta, explora e interage com o envolvente, desenvolve não somente o físico, mas também o cognitivo e o emocional”, explica Virginia Lucas, psicopedagoga e diretora do Escola Anchieta – Unidade Aquarius, instituição que integra a Rede Inspira de Educadores.
Além dos impactos físicos, a interação social também tem sido afetada. Dificuldades em mourejar com regras, frustrações e o repto da convívio com colegas têm sido cada vez mais presentes no cotidiano das salas de lição. A privação de experiências reais e coletivas compromete o desenvolvimento de competências socioemocionais essenciais para a vida em sociedade. Diante desse cenário, cresce a valor de promover estabilidade entre o uso da tecnologia e experiências no mundo real. Incentivar o divertir livre, o contato com a natureza e momentos de convívio familiar são estratégias fundamentais para estimular a autonomia, a originalidade e o desenvolvimento saudável. “Mais do que limitar o uso de telas, é fundamental ampliar as vivências no mundo real. A menino precisa de espaço para divertir, explorar e se desenvolver de forma completa”, pontua a técnico.
Mais do que identificar o que falta, o repto está em repensar a rotina das crianças e prometer espaços físicos e afetivos, que favoreçam experiências reais. Resgatar o movimento, o convívio e a exploração do mundo ao volta são essenciais para que a puerícia seja vivida de forma plena.

