Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil

Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil

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Celebrada há mais de 150 anos na Chapada Diamantina, a Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis (BA) foi registrada nesta quarta-feira (11) como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada na sala do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Realizada entre 23 de janeiro e 2 de fevereiro, a celebração é uma das expressões culturais mais marcantes da cidade de Lençóis. A festa reúne fé, memória e identidade ao entrelaçar o catolicismo popular, as religiões de matriz africana e a tradição garimpeira que moldou a história do município.

Diferente de outras festas dedicadas ao Senhor dos Passos no Brasil, geralmente ligadas à penitência da Paixão de Cristo, em Lençóis a celebração tem tom festivo e comunitário.

Segundo as autoras do parecer técnico, Desirée Tozi e Márcia Sant’Anna, em Lençóis a imagem do Senhor dos Passos é compreendida de forma singular: não apenas como o Cristo que sofre, mas como aquele que acompanha e protege os garimpeiros, partilhando simbolicamente o peso de suas jornadas.

A devoção ao Senhor dos Passos surgiu em Portugal no século XVI, difundida por irmandades religiosas que mobilizavam fiéis para práticas devocionais e ações de solidariedade. Em Lençóis, no entanto, a tradição se consolidou apenas no século XIX, no contexto do ciclo do diamante. Segundo a tradição oral, a festa teria começado em 1852, quando chegou à cidade a imagem do santo encomendada em Portugal por negociantes de diamantes.

Hoje, a celebração reúne diversas expressões culturais que compõem sua identidade: a Marujada, os Reisados, o grupo das Baianas, a Capoeira e o Jarê, manifestação religiosa própria da Chapada Diamantina.

“A festa traduz a alma de Lençóis. Nela, fé, memória e cultura caminham juntas, reunindo diferentes tradições e gerações em torno de um patrimônio vivo que pertence ao povo”, destacou Hermano Guanais, superintendente do Iphan na Bahia.



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