CASACOR Bahia aposta em cores, natureza, espiritualidade e experiências que vão além da decoração

CULTURA ONDE IR

Visitar a CASACOR Bahia deste ano é perceber, logo nos primeiros ambientes, que a proposta vai muito além de apresentar tendências de arquitetura e decoração. Cores, obras de arte, elementos naturais, referências à espiritualidade e espaços pensados para serem vividos, e não apenas admirados, ajudam a construir uma mostra cheia de personalidade.

Em visita realizada pelo Balaio Cultural na quinta-feira (20), uma reação se repetia entre o público a cada novo ambiente: os elogios. “Que lindo” e “lindíssimo” estavam entre as frases ouvidas pelos corredores. Entre os visitantes mais assíduos, também surgiram comparações com edições anteriores e a percepção de que a mostra deste ano ganhou um cuidado especial.

São cerca de 40 espaços com propostas bastante distintas entre si. Há ambientes mais clássicos, outros ousados, mas um ponto chama atenção durante todo o percurso: a presença das cores. Em vez de uma decoração excessivamente neutra, a mostra aposta em paletas marcantes, combinadas a pedras, mármores, madeira, plantas e outros elementos naturais.

Uma cozinha verde, por exemplo, aparece entre os espaços que despertam olhares justamente pela combinação entre simplicidade e sofisticação. Tons de bege, pedras e diferentes texturas ajudam a criar um ambiente elegante sem parecer distante da vida real.

Casas mais abertas e integradas

Os lofts são outro destaque. Sala, quarto e cozinha dividem o mesmo espaço em projetos que privilegiam integração, funcionalidade e amplitude. A impressão é de uma casa menos compartimentada e mais aberta às diferentes formas de morar.

Até espaços que normalmente passariam despercebidos ganharam atenção. Os banheiros compartilhados da mostra também foram concebidos por profissionais de arquitetura e apresentam propostas próprias, transformando uma área essencialmente funcional em mais uma parada do roteiro.

A natureza aparece de maneira recorrente. Flores, plantas, pinturas, texturas e referências à paisagem brasileira ajudam a trazer vida aos ambientes e reforçam uma sensação de acolhimento.

Fé também ocupa espaço na decoração

Outro aspecto que chama atenção é a presença da religiosidade e da espiritualidade.

Referências às religiões de matriz africana convivem com elementos da tradição católica, do artesanato e das artes de inspiração barroca. Imagens, esculturas e objetos aparecem de maneira evidente em diferentes projetos.

Mais do que itens decorativos, esses elementos mostram como a casa também pode ser um lugar de expressão da identidade, das crenças e da relação de cada pessoa com o sagrado, algo que ganha ainda mais significado em uma mostra realizada na Bahia.

A arte baiana também ocupa espaço importante ao longo do percurso, com pinturas e obras de artistas locais incorporadas aos projetos.

Um programa para passar algumas horas

A experiência não termina quando acaba a visita aos ambientes.

A integração com a gastronomia faz com que a CASACOR funcione também como opção de passeio. Espaços como Taberna e Soho permitem estender a visita para uma taça de vinho, uma refeição ou simplesmente uma conversa depois de percorrer a mostra.

Há ainda café, espaço dedicado a doces e chocolates e outras experiências gastronômicas espalhadas pelo circuito. Na prática, é fácil chegar para conhecer os projetos e acabar ficando muito mais tempo do que o planejado.

Até uma academia ganhou interpretação própria. Com equipamentos tecnológicos e design sofisticado, o ambiente propõe uma reflexão sobre como áreas de treino podem fazer parte da arquitetura residencial sem necessariamente ter aquela aparência tradicional de academia.

O endereço também faz parte da experiência

A construção que recebe a mostra, na Avenida Sete, merece atenção por si só.

Escadas antigas de madeira, detalhes arquitetônicos e características preservadas do imóvel criam um interessante contraste entre passado e presente. Em determinados momentos, o visitante deixa de observar apenas o projeto instalado e passa a prestar atenção também no próprio edifício.

É justamente essa mistura que torna o passeio interessante: arquitetura, design, arte, memória, gastronomia, natureza e identidade baiana dividindo o mesmo endereço.

Para quem gosta de decoração, há muitas referências e tendências para observar. Para quem não entende tecnicamente de arquitetura, não tem problema. A mostra também funciona simplesmente como uma experiência visual e cultural.

E talvez esse seja um dos seus maiores acertos: não é preciso entender de arquitetura para sair de lá inspirado.

Por: Cassiana Souza