O que começou como um projeto entre amigos se transformou em um restaurante com três décadas de história em Salvador. Os sócios do Lilás Cozinha, na Pituba, deixaram suas carreiras para se dedicar ao negócio, que atualmente fatura cerca de R$ 4,5 milhões por ano e emprega 41 pessoas. As informações foram divulgadas pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
A história começou em 11 de julho de 1996, quando os casais Ivana e Francisco Souza e Pier e Vera Pepe abriram o então Spaghetti Lilás. Ivana, Francisco e Pier eram engenheiros, enquanto Vera dava aulas de Letras em uma universidade pública. Nenhum dos quatro tinha experiência no setor de alimentação.
“Antes de falar em uma necessidade ou dor de mercado, foi um sonho”, contou Ivana. Os encontros entre os amigos tinham a comida como elemento central, e as diferentes origens das famílias — baiana, mineira, italiana e portuguesa — acabaram influenciando o cardápio.
Inicialmente, a intenção era conciliar o restaurante com as carreiras profissionais. O crescimento da casa, porém, fez com que Ivana e Pier passassem a se dedicar integralmente ao negócio cerca de um ano e meio depois da inauguração. Francisco e Vera seguiram suas profissões, mas continuam participando das decisões estratégicas.
Nome nasceu de receita de família
O nome Lilás surgiu de uma receita preparada pela mãe de Pier: um espaguete de beterraba, conhecido entre familiares e amigos como “spaghetti Lilás”. A sugestão acabou escolhida para batizar o restaurante.
O início foi marcado por dificuldades financeiras. Sem capital de giro, os sócios chegaram a vender um carro e um terreno na praia para ajudar a pagar as despesas. Apesar disso, apenas três meses após a abertura, o restaurante já registrava filas na porta.
A primeira unidade funcionava na Barra. Com o aumento da procura, uma segunda casa foi aberta na Pituba cerca de um ano e meio depois. Anos mais tarde, a operação foi concentrada nesse endereço, onde o Lilás permanece atualmente.
Mudança durante a pandemia
A pandemia de Covid-19 foi apontada pelos sócios como o período mais difícil das três décadas de funcionamento. Até então concentrado no buffet self-service, o restaurante precisou desenvolver rapidamente uma operação de delivery.
A experiência acabou provocando uma mudança no próprio posicionamento da marca. Os pedidos mostraram que a comida brasileira tinha maior procura do que a italiana, levando o antigo Spaghetti Lilás a passar a se chamar Lilás Cozinha.
Atualmente, o restaurante trabalha com delivery, buffet no almoço e serviço à la carte à noite, incluindo pizzas de massa fina preparadas em forno a lenha. O tíquete médio varia entre R$ 60 e R$ 70.
Dos 41 funcionários, pelo menos 15 trabalham no restaurante há mais de 20 anos. Há integrantes da equipe com 25, 26 e até 30 anos de casa.
Ivana e Pier continuam participando da rotina do restaurante. “A nossa presença faz bem. Quando estamos lá, a sensação é de que as coisas fluem melhor. Os clientes gostam de nos ver e conversar conosco, e os funcionários se sentem apoiados”, afirmou Ivana.

